domingo, 14 de novembro de 2010

Análise - Tropa de Elite 2

Nossa.. não fosse a data da última postagem eu nem me lembraria quando foi a última vez que escrevi aqui. Devo isso a faculdade e ao trabalho que vêm consumindo todos os minutos e segundos da minha preciosa vida, mas enfim... tenho mais uma semana de aulas na faculdade, só de provas, e se passar, estarei formado e ganharei muito tempo para fazer tudo que não venho fazendo. Agora eu deveria estar estudando pagamentos internacionais, mas este post está em edição há um mês, vamos terminar...

Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani

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Em 2010 o Capitão Nascimento tem um novo inimigo, as favelas do Rio de Janeiro não estão mais inundadas de drogas e traficantes, mas sim de policiais corruptos, o grande vilão deste filme são as Milicias e o próprio sistema.

Com alguns bons planos, ótimos diálogos e (mais) uma interpretação magnífica do incontestável Wagner Moura, "Tropa de Elite 2" é o must see nacional deste ano, ao lado de outros ótimos títulos como "As melhores coisas do mundo".

"Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Essa é uma obra de ficção".

Se é assim, então está bem. Certo?


O filme se passa dez anos após o fim do primeiro filme, quando nascimento é deixado por sua esposa e com isso sua luta para sair do esquadrão se encerra, dando lugar ao conformismo. Logo no início do filme o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani nos mostram uma ação realizado no presídio Bangu I pelo BOPE, que acabou com a morte de inúmeros presidiários e trouxe péssimas repercussões políticas; e por isso o Coronel Nascimento e o Capitão Mathias, os dois encarregados pela ação são punidos, porém de maneiras distintas. Mathias é expulso do BOPE, e Nascimento é promovido a Sub-secretário de Inteligência do Estado. Estranho, não? Porém eficaz, ambos estavam fora do BOPE que era exatamente o que o Governador do Rio de Janeiro queria. Porém em seu novo cargo Nascimento transforma o esquadrão caveira, que passa de uma divisão abandonada para uma máquina de guerra contra o tráfico de drogas, com direito a helicópteros e tudo mais. 


O Capitão Nascimento foi um dos personagens mais interessantes que tive a oportunidade de ver na história recente do cinema nacional, denso e pesado, porém um ser humano, fascista ou não, ai é uma questão de opinião; conseguimos perceber (muito disso pela ótima atuação de Wagner Moura) um pai perdido e que ama seu filho, que sente a perda da mulher e que procura a todo custo uma válvula de escape, um lugar seguro onde pode viver sua vida, e o lugar seguro para ele são os morros, as incursões às favelas e a tensão diária da vida de um policial.

E a frente desta máquina de guerra o Sub-secretário Nascimento limpa as favelas, o tráfico inexiste e passa a uma realidade passada nas favelas do RJ, porém a sensação de dever cumprido começa a se extinguir no momento que Nascimento se vê a frente de um novo inimigo, muito mais inteligente, muito mais influente e que até o momento ele nunca havia precisado enfrentar, políticos corruptos e milícias.

Um filme profundo que mostra um novo Nascimento, desde a relação paternal com seu filho às conversas frias com sua ex-mulher, até mesmo uma pitada de ciúmes de seu novo marido, com quem ele tem uma estranha relação que durante o filme passa de ódio mútuo à necessidade mútua.

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O filme é a sequência perfeita, tão sútil quando uma metralhadora, a história passa para outro nível neste segundo filme, enquanto no primeiro víamos Nascimento sempre em sua farda preta, um verdadeiro algoz subindo os morros da favela, então pensávamos que estava tudo bem, ele havia chego e todo o mal se dissiparia. Em contrapartida, este segundo filme apresenta um novo Nascimento, engravatado, acuado em meio aos verdadeiros inimigos, no topo daquele edifício, que poderia bem ser um presidio, tanto são os criminosos que lá estão.

Se o medo de o segundo filme não corresponder as expectativas do público devido ao sucesso do primeiro filme existia, agora inexiste. Uma direção quase impecável e um roteiro bem escrito, cheio de frases de efeito, que foi um dos motivos do sucesso do primeiro filme, "Tropa de Elite 2" vai além quando pensamos em filmes nacionais, e ainda mais quando segmentamos o gênero ação.

A idéia do segundo filme vai na contramão do primeiro. Não vamos mostrar a sociedade que se afunda em drogas e no desespero, mas o sistema que a molda.

Se há ainda na sociedade a capacidade de extrair coisas boas da arte e cultura e de se sentar no sofá ao fim de um longo dia e refletir sobre o mundo e sobre as pessoas, há nessas pessoas um pouco do espírito de "Tropa de Elite 2".

Até mais, certamente menos de quatro meses.

1 Comment:

  1. iarinha said...
    Adorei seu blog Atira San! Muito bom post! Acho que o tropa 2 da uma sensação que não há solução e que estamos perdidos, bate aquela sensação...."em quem posso confiar"!
    Adorei tb!
    kisu

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