sábado, 5 de junho de 2010

Análise - O curioso caso de Benjamin Button

Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth

"We are defined by opportunities, even the ones we miss."

Este é um filme meio antigo, que fez bastante alvoroço quando lançado, e aqui estou eu, tempos depois do lançamento vendo ele e me sentindo bem, sem nenhum arrependimento por não tê-lo visto antes.


Dirigido pelo ótimo David Fincher, que mais uma vez mostra que sabe muito de cinema, mas apesar de mais uma bela direção, este é um filme que não me agradou tanto, mas aí é questão de gosto, certo? Uma trama arrastada, na minha opinião, atuações nem tão marcantes e um gostinho de que faltou algo ao fim do filme, nem mesmo a magistral direção de arte e maquiagem foram o suficiente para fazer deste filme ótimo, um bom eu até aceito.

A história:

Quão breve é uma vida? Qual o alcance da nossa consciência diante de nossos atos?

Benjamin (Brad Pitt) realmente é um caso curioso. Ao contrário de todos ele nasceu com a aparência e as doenças de uma pessoa idosa, de uns oitenta e cinco ou noventa anos, e com o passar dos anos ele rejuvenesce ao invés de envelhecer (ufa!!). Ao decorrer de sua vida Benjamin vai aos poucos conhecendo a vida, o primeiro beijo, a primeira noite com uma mulher, a guerra, um amor incorrespondido e as dores de perder membros da família.

Bem jovem (com a aparência de um homem de uns oitenta anos) ele conhece Daisy (Cate Blanchett), que deve ter uns 10 anos, e se apaixona por ela, e obviamente a garota demonstra algum interesse pelo idoso, afinal de contas é o Brad Pitt, certo? Mas ainda assim esse é um romance impossível. Benjamin parte, parte para o mar e se vê no meio da Segunda Guerra Mundial e o único contato que teve com a menina por anos foi através de algumas cartas no começo de sua viagem... Um amor impossível, certo? Errado... Com o passar dos anos Benjamin rejuvenesce e Daisy envelhece, cada segundo aproxima os dois do ponto alto do filme, do momento onde ambos terão a mesma idade e enfim poderão ser felizes para sempre? Bom... isso só o filme nos dirá.

*****

A história do filme não me agradou muito, mas certamente vai agradar muitas pessoas e eu sou obrigado a bater palmas a toda a parte técnica do filme, que teve extremo cuidado com cada cena, com cada edição de som e narrativas do roteiro para que não percebêssemos as quase três horas de filme, e certamente elas passam "quase" imperceptíveis.

Um personagem muito cativante este tal de Benjamin Button, não acham? No início nos sentimos com pena dele, para depois ficarmos extremamente felizes por sua jornada e enfim sentirmos mais pena, e ao fim da projeção sentirmos uma ou duas lágrimas escorrendo pela face, e não há como não senti-las, principalmente na cena final, que não me atreverei a comentar aqui...

A fita tem diversas boas sacadas que agradam, utilizando-se da narrativa em primeira pessoa e de uma ótima montagem e edição de som somos transportados para algumas cenas do filme, como quando Benjamin começa a contar sobre o acidente que Daisy sofreu, acidente este que acabou com seus sonhos de ser uma bailarina., a delicadeza com a qual foram escolhidas as palavras do personagem, a fotografia intensa e ao mesmo tempo delicada e os sons que nos embalam em meio ao caos inelegível são perfeitamente entrelaçados neste cena.

*****

Já vi Brad Bitt em melhores atuações, gostei muito dele em "Babel". O mesmo para "Cate Blanchett", praticamente irreconhecível neste filme, ainda mais porque vi a poucos dias "Elizabeth", mas no fim fazem o suficiente para não atrapalharem o filme. Em algumas cenas Brad Pitt ainda consegue nos comover com algumas boas cenas. Escolhendo uma para comentar, posso dizer que gostei bastante de umas das cenas finais, onde depois de um longo tempo Benjamin volta e encontra sua amada Daisy na sua escola de ballet, já casada com outro homem e criando a filha que ele abandonou. Naquela pequena conversa de dois ou três minutos ambos os atores conseguem alcançar uma profundidade que se conseguissem manter durante todo o filme, esta análise do filme teria um rumo totalmente diferente.

Mas eu disse no começo que não gostei muito do filme, e está na hora de dizer porque. Primeiro, o roteiro... Poxa, vai me dizer que você não sabia o final logo no começo do filme? Será mesmo que o roteiro não podia se ater um pouco mais a realidade? Não acham que tudo vai bem demais no filme? Será que Deus resolveu se redimir com Benjamin fazendo tudo dar certo na sua vida? Aí não sei, mas aparentemente nosso roteirista Eric Roth sim...


Em cinco minutos dava para saber o fim do filme, não dava? Isso porque o filme é uma enrolação do começo ao fim... lotado de clichês que se houvessem mais deixaria de ser uma adaptação literária para ser uma adaptação de milhares de outros roteiros. Depois de um tempo de filme você não se sentiu um pouco familiarizado com a narrativa? Não lembrou nem um pouco "Titanic"? ... lembrou, né? Quer outro clichê? A mãe, depois de uma vida de mentiras revela a filha que seu pai não é aquele que a criou a vida todo, mas sim um estranho a ela, alguém que ela nunca realmente teve a oportunidade de conhecer... (serve este?)

Ahh ok... mas vou redimir um dos "erros" do roteiro. Tá, era óbvio o romance de Benjamin e Daisy, apesar de todas os obstáculos que a trama apresenta... a ideia do filme era mostrar que o amor pode transceder as adversidades da vida e que devemos curtir os momentos, nada é eterno, então aproveite. Se este, um dos maiores clichês do filme acaba sendo, no mínimo, necessário, vou levantar outra questão: Será que o grande erro do filme não aconteceu na sua produção? Apostar neste roteiro totalmente paz e amor, sem realidade nenhuma e totalmente apelativo ao irreal? Em um mercado cada vez mais competitivo, onde filmes como "Guerra ao Terror" são as grandes apostas certeiras, se você não for um "Avatar" da vida (uma produção bilionária e recheada de efeitos especiais) você não pode se dar ao luxo de esquecer o roteiro e fazer um filme em torno de uma direção de arte impecável.

No fim das contas o saldo, para mim, é negativo. O filme que tem boas coisas se perde, principalmente em um roteiro arrastadinho e muito previsível, tirando de nós, espectadores, o principal motivo de se assistir filmes: a sensação de que o filme nos conduz, levando-nos através de caminhos inexplorados, nos apresentando ao antes inexistente, mas "Benjamin Button" faz o contrário, nos leva por caminhos já conhecidos e batidos.

Ps. Laís, este post é (dedicado) para você, depois de tanto pedir, era o mínimo, né?

Até mais.

5 Comments:

  1. Laís said...
    Em primeiro lugar, obrigada pela dedicatória. E obrigada por ter ocupado parte do seu precioso tempo, fazendo esse post q eu tanto pedi rs... vou assistir o filme depois da sua crítica. Bjs =)
    Bartirah said...
    Filminho chato!

    Esse, pra mim é igual a Lista de Schindler... Já tentei assistir umas 4 vezes e acabei dormindo...

    É ótimo pra quem está com problemas de insônia!Rs
    Anônimo said...
    ha, I will experiment my thought, your post bring me some good ideas, it's really awesome, thanks.

    - Norman
    Anônimo said...
    O filme é ótimo! Pena de quem não tem maturidade o suficiente para apreciar, além disso ninguém pode julgar um filme por saber ou não o que vai acontecer no final.
    conker said...
    eae my Brother,você não dorme nesses filmes não?rs.
    Não vejo a hora de jogar bola ai em, vamos compor umas musicas?
    Ah,o Blog ta bom parabéns,Comenta ai sobre o filme pirates of silicon valley.
    P.S ConkerHell XD

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